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O Brasil esta prestes a entrar em um ciclo econômico paradoxal. De um lado vemos o nosso presidente até pouco tempo atrás fazendo campanha para a produção do bioetanol. Em seus discursos, o Brasil estaria um passo a frente das outras nações quanto a sua matriz enérgica limpa e como país exportador de um combustível “limpo” e que nos irá livrar da dependência dos indesejados combustíveis fósseis.
Agora com as descobertas e com os métodos de extração de petróleo da camada pré-sal, o discurso mudou. A onda do combustível verde ficou, digamos, de lado. Passaremos de 14º para 5º produtor mundial de petróleo e dono da 8ª maior reserva. As primeiras polêmicas que estão surgindo, como a da distribuição dos recursos do pré-sal para estados brasileiros não produtores e os interesses políticos por trás disto tudo, já nos dá uma idéia do que virar pela frente. Mas, uma coisa podemos ter certeza: ou nosso país se tornará uma potência econômica, mais justa e com leis ambientais mais firmes ou irá aumentar ainda mais a concentração de renda (no qual já somos o campeão), a discrepância social entres os Estados e as conseqüências do descaso com o meio-ambiente (poluição dos mares, terras degradadas, poluição do ar, etc.)
Estamos caminhando para o pico da produção global de petróleo - na qual a extração tenderá a diminuir e ficar cada vez mais difícil e cara. Segundo a revista National Geografhic de junho de 2008, citando James Mulva, o executivo-chefe da ConocoPhillips, em 2010 quase 40% da produção diária global terá de sair de campos ainda inexplorados ou que nem sequer foram descobertos. Considerando isto, podemos perceber que muitos dólares, mais muitos mesmo, entrarão para o Brasil. E nossa economia podrá ficar numa espécie de dependência: petróleo em alta = economia em alta, caiu o preço = economia em baixa.
Dos 20 maiores exportadores de petróleo do mundo, 16 são ditaduras. O petróleo, em países onde os pilares da democracia não são firmes, serve para financiar a corrupção, o desperdício de verbas com mega-projetos muitas vezes desnecessários, é richas partidárias, na maior parte com o uso da violência. No Brasil, será o congresso que fiscalizará o uso do dinheiro do pré-sal.
Se a sociedade civil juntamente com a mídia cobrarem transparência quanto aos gastos do fundo social que será criado com os recursos do pré-sal. Se os lucros forem realmente destinados para o combate à pobreza, meio ambiente, cultura, ciência e tecnologia e educação. Se as licitações que surgirem forem de forma legal, poderemos esperar melhoras. Se não...
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
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