quarta-feira, 3 de junho de 2009

OS VERDADEIROS LOUCOS ATÔMICOS

Na última semana de maio, a Coréia do Norte realizou testes nucleares subterrâneo. E trágico pelo o que a história da 2ª Guerra nos ensinou: o mundo seria bem melhor sem armas nucleares. Mas o ponto que quero discutir aqui é o cinismo dos países desenvolvidos, principalmente os EUA, de condenarem esta e outras nações enquanto o seu estoque está cheio. Vamos discutir este fato analisando a reportagem de capa da revista VEJA desta semana, Os loucos atômicos.
A frase de capa é a seguinte: Kim Jong-il, o insano ditador da Coréia do Norte, tem a bomba e a intenção de usá-la. A reportagem, na pág. 84, diz “Kim jong-II... não deve ser visto como irracional ou suicida”. E explica que um dos motivos do teste são as famosas chantagens diplomáticas, na qual o país pede ajuda humanitária para abandonar o programa nuclear, além de questões internas relacionadas à sua sucessão. Ou seja, a própria reportagem já desmente que ele tem a intenção de usar a bomba (e na pág. 86 fala ainda que a Coréia está longe de ter tecnologia para lançar algum tipo de arma nuclear. “Os dispositivos coreanos são grandes e rudimentares e não podem ser transportados nem mesmo a bordo de um avião” diz um analista a VEJA).
Na reportagem tem uma tabelinha que, se analisada direito, nos mostra realmente onde está o perigo. Na linha numero de ogivas, Os EUA vem com 2.700 e a Rússia com 4.840 (o jornal O Popular de 29 de junho de 2008, na matéria A ameaça velada das armas nucleares, indica 5.235 ogivas nos EUA e 3.500 na Rússia. Não sei qual dos dados é o verdadeiro). Os dois países junto possuem 95% das ogivas do planeta, 7.540. E os loucos atômicos? A tabela nos dá o número de menos de 10 ogivas na Coréia do Norte e 0 (zero) no Irã. E para quem é bom de memória, até no ano passado, todo o arsenal nuclear americano estava nas mãos de nada menos que George W. Bush, o cara que arrasou o Iraque em nome de que? Armas químicas que nunca foram encontradas (isto me parece coisa de doido). Mais um fato: hoje mais de 40 países têm tecnologia para produzir bombas atômicas, mas qual foi o único país a usá-las? Era realmente necessário?
546 bilhões de dólares são os gastos militares dos EUA por ano (está na tabela também). Some os gastos militares de todas outras nações do mundo (eu disse todas) e não chegará a este valor. Enquanto isto, os gastos dos loucos atômicos são: 12 bilhões na Coréia do norte e 6,6 bilhões no Irã. Os dois juntos que representa 3,4 % do valor gasto pelos Estados Unidos. Peraí, do que os Estados Unidos tem tanto medo para gastar tanto dinheiro assim em armamento (muito mais que as ajudas humanitárias)? Será realmente necessário? Ou é só paranóia mesmo? Coisa de louco?
Vamos ser realista, se o mundo quer ver extinta a ameaça nuclear, as nações que possuem e defendem uma política de não proliferação devem ser as primeiras a desfazer do seu arsenal. Estar com um canhão e criticar quem quer comprar um revolver é no mínimo hipocrisia.

Um comentário:

  1. Foste muito feliz em teu raciocínio, Winder. Eu falo dessa hipocrisia há muito tempo. Os países que chefiam as agências antiatômicas e que mais fazem barulho contra o armamentismo dos outros são aqueles que estão mais armados até a raiz dos dentes. Nos EUA, o agravante é que a indústria da guerra financia os políticos e tem interesse em criar fantasmas externos. Quanto mais "ameaças", mais pretextos para fabricar armas, né não?

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