quarta-feira, 17 de junho de 2009

A QUEDA DE UM SÍMBOLO

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No começo deste mês tivemos um acontecimento que “abalou” as estruturas do atual sistema capitalista: A GENERAL MOTORS AGORA É DO GOVERNO AMERICANO. Mas o que isto representa? Simplificando, o liberalismo econômico ( umas das bandeiras dos EUA) funciona deixando o mercado agir com suas próprias regras na qual a principal é a lei da oferta e procura. Um dos motivos (se não o principal) da rivalidade entre capitalistas e comunistas durante a Guerra Fria foi justamente o fato de os governos comunistas serem os donos dos meios de produção de suas nações. A diferença agora é que, para não dizer que os EUA estão praticando “atos socialistas”, o governo americano cuidará da GM somente até ela se recuperar (sair do vermelho) depois a soltará novamente para o mundo do mercado livre da qual ela saiu com uma dívida de U$ 172,8 bilhões. (por mais estranho que isto possa parecer). Mas vamos entender quem é a GM e qual a sua importância para o capitalismo moderno

Fundada em 1908, por William Durant, a GM fez nada menos que inventar o consumismo americano. Foi na GM que surgiu a esperteza de fazer algumas modificações nos automóveis que iam sendo fabricados em relação aos feitos no ano anterior. Criou-se assim o carro do ano para aquelas pessoas que não tendo nada mais o que fazer com a mais-valia tirada de seus funcionários, pudessem trocar de carro todo ano, já que o anterior agora estava fora de moda. Ela também foi a primeira a produzir carros direcionados a classes sociais específicas. Citando a VEJA da semana passada “Antes, automóveis eram produtos utilitários, como uma tesoura ou uma lanterna. Depois viraram símbolos de status, juventude e poder”. Segundo a REVISTA DA SEMANA (passada) o grande sucesso da GM foi inventar o sistema de castas do mundo automotivo, criando assim um elo – somos o que dirigimos. Por tudo isto, a GM chegou a representar 10% da economia americana e controlar 50% do mercado de veículos leves, no seu auge.

Quem levou a GM ao sucesso foi Albert Sloan, que chegou a empresa em 1923. Sloan mudou toda a forma administrativa da empresa, levando-a a ultrapassar as vendas da Ford. Mas foi a GM, também na gestão de Sloan, que motorizou as companhias de Hitler, modernizando a produção alemã que antes era praticamente artesanal. De Detroit, eram enviadas peças para uso nos tanques de guerras nazistas A GM só mudou de lado em 1941, quando a os EUA entrou na guerra.

Lembra daqueles bondes elétricos que vemos em filmes antigos. Foi a GM que tratou de tira-los de circulação para dar lugar ao sistema de transporte movido a combustão do petróleo.
Veja uma parte da entrevista que jornalista Edwim Black, autor do livro Internal Combustion e indicado para o prêmio máximo do jornalismo com suas investigações sobre a indústria automobilística e do petróleo, concedeu a revista Super Interessante de março de 2007
Super: O plano de Ford e Edison era fabricar carros particulares. Como o motor de combustão dominou também o trasnporte coletivo?
Edwin: Em 1925, as vias elétricas transportavam 15 bilhões de passageiros por ano nos EUA. Por volta de 1935, a General Motors liderou uma conspiração com a empresa de caminhões Mack TrucK, com a Firestone, a Standard Oil e a Phillips Petroleum por meio de uma companhia que eles financiavam, a National City Lines. A NCL comprava as empresas de trólebus e imediatamente interrompia o serviço, desmontava as linhas, colocava ônibus movidos a combustão no lugar e incendiava os elétricos para que eles não fossem mais usados. Isso foi feito em 40 cidades americanas, até que a GM foi acusada de conspiração pelo governo americano e finalmente declarada culpada por esse crime.
Super: Alguns criticam o termo “conspiração” usado no livro, dizendo que houve apenas uma decisão de negócios.
Edwin: Al Capone também tinha apenas negócios. Uso essa palavra porque a GM foi acusada, julgada e condenada porá conspiração. Se não usá-la, estarei falseando a história.”

A GM também é conhecida como a empresa que pos fim ao carro elétrico. Em 1996 foi lançado no mercado, pela própria GM, o 1º modelo de carro elétrico comercial. Mas logo ele foi tirado de circulação como se fosse um lote de algum remédio que no lugar de salvar, estava era matando os pacientes. A comparação é tão válida que a empresa logo tratou de recolher e destruir todos os carros que foram lançados. Quem assistir ao documentário “Quem matou o carro elétrico?” (tem ele em algumas locadoras aqui da cidade) ira entender direitinho esta história, inclusive ver os diversos carros elétricos semi-novos serem esmagados ou reduzidos a pó.

E esta empresa que está agora nas mãos de Obama. O governo americano injetou 50 bilhões, desde o começo da crise, para que ela não fechasse pois ela é um símbolo da economia americana. Esta e a chance de dar um novo começo a triste história desta corporação: a produção de carros ecologicamente corretos e o fim das negociações somente pensando no lucro (que no fim só renderam prejuízo).

Um comentário:

  1. Mais um ótimo post, Mr. Winder (nome de capitalista estadunidense... rs...). Parabéns!

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