quarta-feira, 19 de novembro de 2008

QUANDO NIETZSCHE CHOROU (2)

Mas alguns trechos deste belo romance. Podemos tirar valiosos ensinamentos destas passagens.


(Breuer para Nietzsche)
-Diferente? O que ser diferente tem a ver com isso? Foi uma oportunidade única, com que jamais toparei outra vez.
-Também foi uma oportunidade única dizer não! Dizer um bendito “não” a um predador. Essa oportunidade você agarrou.


(Nietzsche para Breuer)
-...Aqui, você diz que se preocupa demais com as opiniões de seus colegas. Conheci muitas pessoas que não gostam de si mesmas e tentam superar isso persuadindo primeiro os outros a pensarem bem delas. Feito isso, elas começam a pensar bem de si próprias. Mas essa é uma falsa solução, isso é submissão à autoridade dos outros. Sua tarefa é aceitar a si mesmo, não encontrar formas de obter minha aceitação.


(Nietzsche para Breuer)
-...Não - afirmou Nietzsche -, apenas o estou chamando pelo nome certo! Não faço objeção ao homem que faz sexo quando precisa. Mas odeio o homem que implora por ele, que abre mão de seu poder a favor da mulher que implora por ele, que abre mão do seu poder a favor da mulher concedente... da mulher ardilosa que transforma a fraqueza dela e a força dele na sua força.


(Nietzsche para Breuer)
-...Primeiro, tenho que lhe ensinar a andar, e o primeiro passo ao aprender a andar é entender que quem não obedece a si mesmo é redigo pelos outros. É mais fácil, muito mais fácil, obedecer a outro do que dirigir a si mesmo...


(Nietzsche para Breuer)
- Então, você esconde sua vontade de si mesmo. Você precisa agora aprender a reconhecer sua vida e a ter a coragem de dizer “Assim escolhi!”. O espírito de um homem se constrói a partir de suas escolhas!


(Nietzsche para Breuer)
-... Uma árvore precisa enfrentar tormentas para alcançar uma altura digna de orgulho. A criatividade e a descoberta são geradas na dor.


(Breuer para Nietzsche )
- ... Aquele rapaz agora envelhecendo atingiu o ponta da vida em que não consegue mais ver seu sentido. Sua razão de viver – minha razão, minhas metas, as recompensas que me impeliram pela vida – se afigura absurda agora. Quando medito em como busquei besteiras, em como desperdicei a única vida que possuo, um sentimento de terrível desespero me domina.


(Breuer para Nietzsche)
-Metas? As metas estão na cultura, no ar. Nós as respiramos. Todos os meninos com quem cresci inalaram as mesmas metas. Todos queríamos pular para fora do gueto judaico, subir na vida, ter sucesso, riqueza, respeitabilidade. Era o que todos queríamos! Nenhum de nós jamais se pôs deliberadamente a escolher metas; elas estavam bem ali, as conseqüências naturais de meu tempo, meu povo, minha família.


(Nietzsche para Breuer)
-É claro que você sofre, é o preço da visão. É claro que você sente medo, viver significa correr perigo. Torne-se rijo! - exortava ele. – Você não é uma vaca e eu não sou apóstolo da ruminação.


(Nietzsche para Breuer)
-...Uma perspectiva cósmica sempre atenua a tragédia. Se subirmos bastante, atingiremos uma altura da qual a tragédia deixará de parecer trágica.


(Nietzsche para Breuer)
- O problema, Josef, é que sempre que abandonamos a racionalidade e recorremos às faculdades inferiores para influenciar os homens, resulta um homem inferior e vulgar.


(Breuer para Nietzsche)
- Continuo afirmando que esses argumentos não me afetam – reclamou. – De que serve essa filosofice? Ainda que inventemos a realidade, nossas mentes são estruturadas de forma a nos esconder esse fato.


(Anotações de Breur sobre Nietzsche)
Ele tem razão: se envergarmos nossa situação trivial em relação à longa meada de nossas vidas, à vida de toda a raça humana, à evolução da consciência, certamente ela perderá seu significado dominante.


(Nietzsche para Breuer)
- Talvez, Josef, viver de maneira segura seja perigoso. Perigoso e mortal.


(Nietzsche para Breuer)
- Sempre pensei, Josef, que amamos mais o desejo do que o ser desejado!.


(Nietzsche para Breuer)
- ... As vezes, penso que sou o homem mais solitário que existe. Como no seu caso, não tem nada a ver com a presença dos outros; na verdade odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.


(anotações de Nietzsche sobre Breuer)
...Chegará a época em que os homens cessarão de temer o conhecimento, não mais disfarçarão a fraqueza como “lei moral”, encontrarão a coragem de quebrar as algemas dos mandamentos.


(Breuer para Nietzsche)
-...desde criança, acredito que a vida seja uma centelha entre dois vácuos idênticos: a escuridão antes do nascimento e aquela após a morte.
- A vida... uma centelha entre dois vácuos. Bela imagem, Josef. Não é estranho como nos preocupamos com o segundo vácuo e jamais pensamos no primeiro?


...Naquele dia, Breur teve a impressão de que todas as motivações, dele e de Nietzsche, brotavam de uma fonte única: o afã de escapar do esquecimento da morte.


(Nietzsche para Breuer)
- Apesar disso, Josef, você evita minha pergunta. Você viveu sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Ou ela escolheu você? Amou-a? Ou a lamentou? Eis o que quero dizer quando perguntou se você consumiu sua vida.


(Nietzsche para Breuer)
- Dever? Como pode o dever preceder seu amor por si mesmo e por sua própria busca de liberdade incondicional? Se você não se realizou pessoalmente, então “dever” é um mero eufemismo para o uso dos outros visando ao seu próprio engrandecimento.


(Mathilde para Breuer)
-...Quem é esse “eu” que não se tornou um eu? Daqui a um ano, você dirá que este “eu” de hoje ainda não estava formado e que as escolhas feitas hoje não valeram. Isso é auto-ilusão, ma forma de se esquivar da responsabilidade por suas escolhas.


(Eva para Breuer)
-A que tipo de liberdade o senhor se refere?...Sempre desejei gozar de sua liberdade. Que tipo de liberdade eu tive? Quando você se preocupa com o aluguel e com a conta do açougue, não tem tempo de se preocupar com a liberdade.


(Breuer para Max)
-Aprendir também – disse Breuer –...que temos que viver como se fôssemos livres. Ainda que não possamos escapar do destino, temos que enfrentá-lo de cabeça erguida... temos que desejar que nosso destino aconteça. Temos que amar nosso destino.


(Breuer para Nietzsche)
-...Você mesmo me ensinou que não existe o caminho, que a única grande verdade é aquela que descobrimos para nós mesmos.


(Nietzsche para Breuer)
- VERDADE com letras maiúsculas – exclamou Nietzsche. – Eu esqueço, Josef, que os cientistas ainda têm que aprender que também a VERDADE é uma ilusão, mas uma ilusão sem a qual não conseguimos sobreviver.


(Nietzsche para Breuer)
- Lembra-se da minha primeira sentença de granito... recitei-a para você várias vezes, Josef: “Torna-te quem tu és”? Significa não apenas aperfeiçoar a si mesmo, mas também não cair presa dos desígnios traçados por outrem para você.


(Breuer para Nietzsche)
- ... De tudo que aprendi naquele dia, talvez a percepção mais poderosa tenha sido a de que eu não me relacionara com Bertha, e sim com todos os significados pessoais que atribuíra a ela, significados que nada tinham a ver com ela....Talvez sejamos todos colegas de infortúnio incapazes de enxergar a verdade um do outro.


(Nietzsche para Breuer)
-... Já usei a palavra “amigo” antes, mas pela primeira vez neste momento a palavra foi inteiramente minha. Sempre sonhei com uma amizade em que duas pessoas se unissem para atingir um ideal mais elevado. E aqui, agora, ela chegou!


(Nietzsche para Breuer)
-... Sempre permanecerei sozinho, mas que diferença, que maravilhosa diferença, escolher o que faço. Amor fati: escolhe teu destino, ama teu destino.

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