terça-feira, 18 de novembro de 2008

SOBRE EDUCAÇÃO

A educação no Brasil está em um processo de auto-análise: de onde vêm os problemas? Quem são os culpados? Quais ações tomar?

Primeiro vemos os esforços do governo em colocar todos na escola. Mas hoje, ainda temos 10% da população maior de 15 anos não sabendo ler ou escrever. Número alto comparado com a economia do país.

Em seguida, vêm os esforços para diminuir o número de alunos repetentes. Como conseqüências temos, 2,43 milhões de pessoas de 7 a 14 anos que não sabem ler e escrever, sendo 87,2% destas matriculada em alguma escola. Muitos chegam ao ensino médio semi-analfabetos. Existe uma pressão para que os professores passem os alunos com dificuldades para as séries adiante, liberando assim a vaga para outros. Algumas instituições chegam até determinar um limite de reprovação por turma. Outra pressão vem do governo federal: efetuando repasses de verbas aos municípios através do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o aumento das aprovações automaticamente eleva este índice e assim o aumento do repasse.

Estes dados nos levam a refletir sobre outras pesquisas. No programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ficou em 52º lugar num ranking de 57 paises nas avaliações de Português, Matemática e Ciências. Outra: Sete em cada dez brasileiros de 15 a 19 anos não têm condições de conseguir um emprego bem remunerado, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid). E sabe ainda o que é pior: o índice de repetência ainda continua alto, sendo a média nacional de 20,1% para o ensino fundamental e de 22,6% para o ensino médio. Estas reprovações têm o custo de R$10,5 bilhões por ano aos cofres públicos. Ou seja, estas medidas, além de esta prejudicando a capacitação para o mercado de trabalho, não está produzindo os resultados desejados. Tem alguma coisa errada aí.

Mas isto é somente uma parte do problema. O despreparo dos novos professores quanto a realidade que encontram na sala de aula também pesa muito. A verdade é que estes professores saem das faculdades, ótimos em teoria, mas, com pouca prática de ensino, chegando às salas de aula sem saber utilizar o que aprendeu. Para se reverter esta realidade, várias medidas estão sendo tomadas como um projeto de lei que institui um programa de residência pedagógica, comparado com as que já ocorrem nos cursos de medicina. O Conselho Nacional de Secretários de Educação também sugerem a aplicação de uma prova semelhante à realizada pela OAB, para os que pretendem ser advogados, impedindo que profissionais despreparados atuem como professores.

Pelo que vemos, quanto se trata de educação, o caminho é longo e os desafios são muitos. Mas esperança é que não falta. Somente com qualidade de ensino nos tornaremos um país verdadeiramente desenvolvido.

2 comentários:

Francisco Cabral disse...

Grande Winder,

Com esse nosso sistema de educação, já deve ter formando assinando o próprio diploma com o polegar.

Francisco

Roniel disse...

Realmente, os números referentes à educação são alarmantes, pelo menos para mim. Sabia que não eram poucos os problemas enfrentados pelo nosso sistema, contudo, não tinha idéia dos números. Na verdade, o fato de se formar numa Faculdade, ou numa Universidade, atualmente, não é um indicativo de profissional de boa qualidade. E, o problema piora, pois, o professor recebe alunos com fraco desempenho, o que, complica ainda mais a situação. Infelizmente, são vários os acadêmicos que não sabem sequer, escrever um texto com coesão. Mas vamos lá, "prosseguir é preciso".

Roniel

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