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(fontes de pesquisa: Revistas Viver Mente e Cerebro n° 174 e a Galileu deste mês de novembro, n° 208)
O que nos faz felizes? Sucesso, dinheiro, realização profissional, beleza? Então porque temos tantos artistas famosos que possuem tudo isto e, mesmo assim, estão envolvidos em casos de drogas ou com sintomas de depressão.
Olhando a história, nunca a vida do ser humano foi tão cómoda. Reis e rainhas da idade média não tinham nem metade do conforto, entretenimento, alimentação e expectativa de vida disposto hoje a classe média (e até baixa) de muitos países, como o Brasil. Somos muito mais felizes que eles então? Parece que não é bem assim.
Vejamos o que a “Psicologia positiva”, campo destinado a desvendar o que promove os estados emocionais positivos, vem concluindo em suas pesquisas.
(Nesta primeira parte concentraremos somente nas pesquisas partindo parte evolutiva)
1º TODOS NÓS TENDEMOS A ADAPTAR AO MEIO EM QUE VIVEMOS, BIOLOGICAMENTE E PSICOLOGICAMENTE FALANDO.
2º DEVIDO A PERIGOS ENFRENTADOS NO PASSADO, TENDEMOS A FICAR MAIS ALERTAS A SITUAÇÕES NEGATIVAS, QUE PODEM NOS PREJUDICAR, DO QUE AS EXPERIÊNCIAS POSITIVAS QUE NOS ACONTECEM.
3º COMO QUEM TINHA MAIS RECURSOS NO PASSADO TINHA MENOS CHANCE DE PERECER AS DIFICULDADES. HOJE, AINDA MANTEMOS ESTE ASPECTO DE SEMPRE QUERER MAIS, DE NÃO FICAR SATISFEITOS COM O QUE TEMOS.
E o que isso tem a ver com felicidade? Vamos lá
As pesquisas recentes mostram que a felicidade tem uma base de 40% genética. Não que ela seja passada de pai para filho e sim pelo fato de cada combinação genética formar um ser único. É como se existisse um nível individual de felicidade em cada um, independente dos acontecimentos ou vida que a pessoa leva. Os fatores externos que nos acontecem, principalmente os inesperados (arrumar um serviço melhor ou perder alguém importante), servem para elevar ou abaixar este nível, mas somente temporariamente. Quando acostumamos com o acontecimento, o nosso nível tende a voltar ao que era antes.
As nossas atitudes frente aos acontecimentos representam 40%. Pessoas extrovertidas, estáveis e conscientes (e responsáveis) de suas ações, apresentam a ter um bem-estar mais elevado. Mas, o que mais faz a diferença mesmo, parece ser o olhar positivo (ou não) que temos da vida. Se encaramos os acontecimentos com um olhar de aprendizado ou de vítima do destino.
Outra tendência que temos e a de nos avaliarmos tomando como modelo alguém. Se for alguém em uma situação pior do que a nossa (comparação descendente), mesmo se já estivermos quase no fundo do buraco, o natural é nos sentir mais compreensivo e satisfeitos. Mas sé for alguém em situação melhor (comparação ascendente), mesmo se já formos bilionários, o comum é ficarmos frustrados com nossas conquistas. O problema é que na sociedade capitalista de hoje, os meios de comunicação e a publicidade exulta um padrão de vida que somente poucos podem alcançar (nas novelas podemos ver isto claramente). Com isso, muito ficam seduzidos a consumir e consumir para chegar a este padrão. Uma vez o alcançando, percebe que pouca coisa mudou e que a moda e a novidade já não é mais aquela alcançada, tornando a entrar no ciclo do consumir e consumir (celular e carros, por exemplo).
Vamos parar aqui por enquanto. Deixo as conclusões com o leitor.
Na próxima parte, aprofundaremos mais neste assunto. Até.
Á. Só para completar mesmo, os 10% restantes, seriam fruto das circunstâncias: se somos baixos ou altos, magros ou gordos, bonitos ou feios, por exemplo (ao menos é o que a revista diz).
terça-feira, 25 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
QUANDO NIETZSCHE CHOROU (FILME)
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Filmado em 2006 e com a direção de Pinchas Perry (nenhum filme famoso), este é um daqueles filmes com uma péssima adaptação do livro.
Totalmente desaconselhável para quem não leu o livro (pois talvez perderá até a vontade de lê-lo). Para quem leu, é bom assistir somente para observar o estilo de vida da época e perceber como o diretor não conseguiu captar a essência do livro, querendo resumir 400 páginas em apenas 1:40 minutos de filmagens. Em quase nenhum momento dar-se para captar a real profundidade dos dramas vividos pelos personagens. É isso.
Filmado em 2006 e com a direção de Pinchas Perry (nenhum filme famoso), este é um daqueles filmes com uma péssima adaptação do livro.
Totalmente desaconselhável para quem não leu o livro (pois talvez perderá até a vontade de lê-lo). Para quem leu, é bom assistir somente para observar o estilo de vida da época e perceber como o diretor não conseguiu captar a essência do livro, querendo resumir 400 páginas em apenas 1:40 minutos de filmagens. Em quase nenhum momento dar-se para captar a real profundidade dos dramas vividos pelos personagens. É isso.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
QUANDO NIETZSCHE CHOROU (2)
Mas alguns trechos deste belo romance. Podemos tirar valiosos ensinamentos destas passagens.
(Breuer para Nietzsche)
-Diferente? O que ser diferente tem a ver com isso? Foi uma oportunidade única, com que jamais toparei outra vez.
-Também foi uma oportunidade única dizer não! Dizer um bendito “não” a um predador. Essa oportunidade você agarrou.
(Nietzsche para Breuer)
-...Aqui, você diz que se preocupa demais com as opiniões de seus colegas. Conheci muitas pessoas que não gostam de si mesmas e tentam superar isso persuadindo primeiro os outros a pensarem bem delas. Feito isso, elas começam a pensar bem de si próprias. Mas essa é uma falsa solução, isso é submissão à autoridade dos outros. Sua tarefa é aceitar a si mesmo, não encontrar formas de obter minha aceitação.
(Nietzsche para Breuer)
-...Não - afirmou Nietzsche -, apenas o estou chamando pelo nome certo! Não faço objeção ao homem que faz sexo quando precisa. Mas odeio o homem que implora por ele, que abre mão de seu poder a favor da mulher que implora por ele, que abre mão do seu poder a favor da mulher concedente... da mulher ardilosa que transforma a fraqueza dela e a força dele na sua força.
(Nietzsche para Breuer)
-...Primeiro, tenho que lhe ensinar a andar, e o primeiro passo ao aprender a andar é entender que quem não obedece a si mesmo é redigo pelos outros. É mais fácil, muito mais fácil, obedecer a outro do que dirigir a si mesmo...
(Nietzsche para Breuer)
- Então, você esconde sua vontade de si mesmo. Você precisa agora aprender a reconhecer sua vida e a ter a coragem de dizer “Assim escolhi!”. O espírito de um homem se constrói a partir de suas escolhas!
(Nietzsche para Breuer)
-... Uma árvore precisa enfrentar tormentas para alcançar uma altura digna de orgulho. A criatividade e a descoberta são geradas na dor.
(Breuer para Nietzsche )
- ... Aquele rapaz agora envelhecendo atingiu o ponta da vida em que não consegue mais ver seu sentido. Sua razão de viver – minha razão, minhas metas, as recompensas que me impeliram pela vida – se afigura absurda agora. Quando medito em como busquei besteiras, em como desperdicei a única vida que possuo, um sentimento de terrível desespero me domina.
(Breuer para Nietzsche)
-Metas? As metas estão na cultura, no ar. Nós as respiramos. Todos os meninos com quem cresci inalaram as mesmas metas. Todos queríamos pular para fora do gueto judaico, subir na vida, ter sucesso, riqueza, respeitabilidade. Era o que todos queríamos! Nenhum de nós jamais se pôs deliberadamente a escolher metas; elas estavam bem ali, as conseqüências naturais de meu tempo, meu povo, minha família.
(Nietzsche para Breuer)
-É claro que você sofre, é o preço da visão. É claro que você sente medo, viver significa correr perigo. Torne-se rijo! - exortava ele. – Você não é uma vaca e eu não sou apóstolo da ruminação.
(Nietzsche para Breuer)
-...Uma perspectiva cósmica sempre atenua a tragédia. Se subirmos bastante, atingiremos uma altura da qual a tragédia deixará de parecer trágica.
(Nietzsche para Breuer)
- O problema, Josef, é que sempre que abandonamos a racionalidade e recorremos às faculdades inferiores para influenciar os homens, resulta um homem inferior e vulgar.
(Breuer para Nietzsche)
- Continuo afirmando que esses argumentos não me afetam – reclamou. – De que serve essa filosofice? Ainda que inventemos a realidade, nossas mentes são estruturadas de forma a nos esconder esse fato.
(Anotações de Breur sobre Nietzsche)
Ele tem razão: se envergarmos nossa situação trivial em relação à longa meada de nossas vidas, à vida de toda a raça humana, à evolução da consciência, certamente ela perderá seu significado dominante.
(Nietzsche para Breuer)
- Talvez, Josef, viver de maneira segura seja perigoso. Perigoso e mortal.
(Nietzsche para Breuer)
- Sempre pensei, Josef, que amamos mais o desejo do que o ser desejado!.
(Nietzsche para Breuer)
- ... As vezes, penso que sou o homem mais solitário que existe. Como no seu caso, não tem nada a ver com a presença dos outros; na verdade odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.
(anotações de Nietzsche sobre Breuer)
...Chegará a época em que os homens cessarão de temer o conhecimento, não mais disfarçarão a fraqueza como “lei moral”, encontrarão a coragem de quebrar as algemas dos mandamentos.
(Breuer para Nietzsche)
-...desde criança, acredito que a vida seja uma centelha entre dois vácuos idênticos: a escuridão antes do nascimento e aquela após a morte.
- A vida... uma centelha entre dois vácuos. Bela imagem, Josef. Não é estranho como nos preocupamos com o segundo vácuo e jamais pensamos no primeiro?
...Naquele dia, Breur teve a impressão de que todas as motivações, dele e de Nietzsche, brotavam de uma fonte única: o afã de escapar do esquecimento da morte.
(Nietzsche para Breuer)
- Apesar disso, Josef, você evita minha pergunta. Você viveu sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Ou ela escolheu você? Amou-a? Ou a lamentou? Eis o que quero dizer quando perguntou se você consumiu sua vida.
(Nietzsche para Breuer)
- Dever? Como pode o dever preceder seu amor por si mesmo e por sua própria busca de liberdade incondicional? Se você não se realizou pessoalmente, então “dever” é um mero eufemismo para o uso dos outros visando ao seu próprio engrandecimento.
(Mathilde para Breuer)
-...Quem é esse “eu” que não se tornou um eu? Daqui a um ano, você dirá que este “eu” de hoje ainda não estava formado e que as escolhas feitas hoje não valeram. Isso é auto-ilusão, ma forma de se esquivar da responsabilidade por suas escolhas.
(Eva para Breuer)
-A que tipo de liberdade o senhor se refere?...Sempre desejei gozar de sua liberdade. Que tipo de liberdade eu tive? Quando você se preocupa com o aluguel e com a conta do açougue, não tem tempo de se preocupar com a liberdade.
(Breuer para Max)
-Aprendir também – disse Breuer –...que temos que viver como se fôssemos livres. Ainda que não possamos escapar do destino, temos que enfrentá-lo de cabeça erguida... temos que desejar que nosso destino aconteça. Temos que amar nosso destino.
(Breuer para Nietzsche)
-...Você mesmo me ensinou que não existe o caminho, que a única grande verdade é aquela que descobrimos para nós mesmos.
(Nietzsche para Breuer)
- VERDADE com letras maiúsculas – exclamou Nietzsche. – Eu esqueço, Josef, que os cientistas ainda têm que aprender que também a VERDADE é uma ilusão, mas uma ilusão sem a qual não conseguimos sobreviver.
(Nietzsche para Breuer)
- Lembra-se da minha primeira sentença de granito... recitei-a para você várias vezes, Josef: “Torna-te quem tu és”? Significa não apenas aperfeiçoar a si mesmo, mas também não cair presa dos desígnios traçados por outrem para você.
(Breuer para Nietzsche)
- ... De tudo que aprendi naquele dia, talvez a percepção mais poderosa tenha sido a de que eu não me relacionara com Bertha, e sim com todos os significados pessoais que atribuíra a ela, significados que nada tinham a ver com ela....Talvez sejamos todos colegas de infortúnio incapazes de enxergar a verdade um do outro.
(Nietzsche para Breuer)
-... Já usei a palavra “amigo” antes, mas pela primeira vez neste momento a palavra foi inteiramente minha. Sempre sonhei com uma amizade em que duas pessoas se unissem para atingir um ideal mais elevado. E aqui, agora, ela chegou!
(Nietzsche para Breuer)
-... Sempre permanecerei sozinho, mas que diferença, que maravilhosa diferença, escolher o que faço. Amor fati: escolhe teu destino, ama teu destino.
(Breuer para Nietzsche)
-Diferente? O que ser diferente tem a ver com isso? Foi uma oportunidade única, com que jamais toparei outra vez.
-Também foi uma oportunidade única dizer não! Dizer um bendito “não” a um predador. Essa oportunidade você agarrou.
(Nietzsche para Breuer)
-...Aqui, você diz que se preocupa demais com as opiniões de seus colegas. Conheci muitas pessoas que não gostam de si mesmas e tentam superar isso persuadindo primeiro os outros a pensarem bem delas. Feito isso, elas começam a pensar bem de si próprias. Mas essa é uma falsa solução, isso é submissão à autoridade dos outros. Sua tarefa é aceitar a si mesmo, não encontrar formas de obter minha aceitação.
(Nietzsche para Breuer)
-...Não - afirmou Nietzsche -, apenas o estou chamando pelo nome certo! Não faço objeção ao homem que faz sexo quando precisa. Mas odeio o homem que implora por ele, que abre mão de seu poder a favor da mulher que implora por ele, que abre mão do seu poder a favor da mulher concedente... da mulher ardilosa que transforma a fraqueza dela e a força dele na sua força.
(Nietzsche para Breuer)
-...Primeiro, tenho que lhe ensinar a andar, e o primeiro passo ao aprender a andar é entender que quem não obedece a si mesmo é redigo pelos outros. É mais fácil, muito mais fácil, obedecer a outro do que dirigir a si mesmo...
(Nietzsche para Breuer)
- Então, você esconde sua vontade de si mesmo. Você precisa agora aprender a reconhecer sua vida e a ter a coragem de dizer “Assim escolhi!”. O espírito de um homem se constrói a partir de suas escolhas!
(Nietzsche para Breuer)
-... Uma árvore precisa enfrentar tormentas para alcançar uma altura digna de orgulho. A criatividade e a descoberta são geradas na dor.
(Breuer para Nietzsche )
- ... Aquele rapaz agora envelhecendo atingiu o ponta da vida em que não consegue mais ver seu sentido. Sua razão de viver – minha razão, minhas metas, as recompensas que me impeliram pela vida – se afigura absurda agora. Quando medito em como busquei besteiras, em como desperdicei a única vida que possuo, um sentimento de terrível desespero me domina.
(Breuer para Nietzsche)
-Metas? As metas estão na cultura, no ar. Nós as respiramos. Todos os meninos com quem cresci inalaram as mesmas metas. Todos queríamos pular para fora do gueto judaico, subir na vida, ter sucesso, riqueza, respeitabilidade. Era o que todos queríamos! Nenhum de nós jamais se pôs deliberadamente a escolher metas; elas estavam bem ali, as conseqüências naturais de meu tempo, meu povo, minha família.
(Nietzsche para Breuer)
-É claro que você sofre, é o preço da visão. É claro que você sente medo, viver significa correr perigo. Torne-se rijo! - exortava ele. – Você não é uma vaca e eu não sou apóstolo da ruminação.
(Nietzsche para Breuer)
-...Uma perspectiva cósmica sempre atenua a tragédia. Se subirmos bastante, atingiremos uma altura da qual a tragédia deixará de parecer trágica.
(Nietzsche para Breuer)
- O problema, Josef, é que sempre que abandonamos a racionalidade e recorremos às faculdades inferiores para influenciar os homens, resulta um homem inferior e vulgar.
(Breuer para Nietzsche)
- Continuo afirmando que esses argumentos não me afetam – reclamou. – De que serve essa filosofice? Ainda que inventemos a realidade, nossas mentes são estruturadas de forma a nos esconder esse fato.
(Anotações de Breur sobre Nietzsche)
Ele tem razão: se envergarmos nossa situação trivial em relação à longa meada de nossas vidas, à vida de toda a raça humana, à evolução da consciência, certamente ela perderá seu significado dominante.
(Nietzsche para Breuer)
- Talvez, Josef, viver de maneira segura seja perigoso. Perigoso e mortal.
(Nietzsche para Breuer)
- Sempre pensei, Josef, que amamos mais o desejo do que o ser desejado!.
(Nietzsche para Breuer)
- ... As vezes, penso que sou o homem mais solitário que existe. Como no seu caso, não tem nada a ver com a presença dos outros; na verdade odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.
(anotações de Nietzsche sobre Breuer)
...Chegará a época em que os homens cessarão de temer o conhecimento, não mais disfarçarão a fraqueza como “lei moral”, encontrarão a coragem de quebrar as algemas dos mandamentos.
(Breuer para Nietzsche)
-...desde criança, acredito que a vida seja uma centelha entre dois vácuos idênticos: a escuridão antes do nascimento e aquela após a morte.
- A vida... uma centelha entre dois vácuos. Bela imagem, Josef. Não é estranho como nos preocupamos com o segundo vácuo e jamais pensamos no primeiro?
...Naquele dia, Breur teve a impressão de que todas as motivações, dele e de Nietzsche, brotavam de uma fonte única: o afã de escapar do esquecimento da morte.
(Nietzsche para Breuer)
- Apesar disso, Josef, você evita minha pergunta. Você viveu sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Ou ela escolheu você? Amou-a? Ou a lamentou? Eis o que quero dizer quando perguntou se você consumiu sua vida.
(Nietzsche para Breuer)
- Dever? Como pode o dever preceder seu amor por si mesmo e por sua própria busca de liberdade incondicional? Se você não se realizou pessoalmente, então “dever” é um mero eufemismo para o uso dos outros visando ao seu próprio engrandecimento.
(Mathilde para Breuer)
-...Quem é esse “eu” que não se tornou um eu? Daqui a um ano, você dirá que este “eu” de hoje ainda não estava formado e que as escolhas feitas hoje não valeram. Isso é auto-ilusão, ma forma de se esquivar da responsabilidade por suas escolhas.
(Eva para Breuer)
-A que tipo de liberdade o senhor se refere?...Sempre desejei gozar de sua liberdade. Que tipo de liberdade eu tive? Quando você se preocupa com o aluguel e com a conta do açougue, não tem tempo de se preocupar com a liberdade.
(Breuer para Max)
-Aprendir também – disse Breuer –...que temos que viver como se fôssemos livres. Ainda que não possamos escapar do destino, temos que enfrentá-lo de cabeça erguida... temos que desejar que nosso destino aconteça. Temos que amar nosso destino.
(Breuer para Nietzsche)
-...Você mesmo me ensinou que não existe o caminho, que a única grande verdade é aquela que descobrimos para nós mesmos.
(Nietzsche para Breuer)
- VERDADE com letras maiúsculas – exclamou Nietzsche. – Eu esqueço, Josef, que os cientistas ainda têm que aprender que também a VERDADE é uma ilusão, mas uma ilusão sem a qual não conseguimos sobreviver.
(Nietzsche para Breuer)
- Lembra-se da minha primeira sentença de granito... recitei-a para você várias vezes, Josef: “Torna-te quem tu és”? Significa não apenas aperfeiçoar a si mesmo, mas também não cair presa dos desígnios traçados por outrem para você.
(Breuer para Nietzsche)
- ... De tudo que aprendi naquele dia, talvez a percepção mais poderosa tenha sido a de que eu não me relacionara com Bertha, e sim com todos os significados pessoais que atribuíra a ela, significados que nada tinham a ver com ela....Talvez sejamos todos colegas de infortúnio incapazes de enxergar a verdade um do outro.
(Nietzsche para Breuer)
-... Já usei a palavra “amigo” antes, mas pela primeira vez neste momento a palavra foi inteiramente minha. Sempre sonhei com uma amizade em que duas pessoas se unissem para atingir um ideal mais elevado. E aqui, agora, ela chegou!
(Nietzsche para Breuer)
-... Sempre permanecerei sozinho, mas que diferença, que maravilhosa diferença, escolher o que faço. Amor fati: escolhe teu destino, ama teu destino.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
SOBRE EDUCAÇÃO
A educação no Brasil está em um processo de auto-análise: de onde vêm os problemas? Quem são os culpados? Quais ações tomar?
Primeiro vemos os esforços do governo em colocar todos na escola. Mas hoje, ainda temos 10% da população maior de 15 anos não sabendo ler ou escrever. Número alto comparado com a economia do país.
Em seguida, vêm os esforços para diminuir o número de alunos repetentes. Como conseqüências temos, 2,43 milhões de pessoas de 7 a 14 anos que não sabem ler e escrever, sendo 87,2% destas matriculada em alguma escola. Muitos chegam ao ensino médio semi-analfabetos. Existe uma pressão para que os professores passem os alunos com dificuldades para as séries adiante, liberando assim a vaga para outros. Algumas instituições chegam até determinar um limite de reprovação por turma. Outra pressão vem do governo federal: efetuando repasses de verbas aos municípios através do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o aumento das aprovações automaticamente eleva este índice e assim o aumento do repasse.
Estes dados nos levam a refletir sobre outras pesquisas. No programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ficou em 52º lugar num ranking de 57 paises nas avaliações de Português, Matemática e Ciências. Outra: Sete em cada dez brasileiros de 15 a 19 anos não têm condições de conseguir um emprego bem remunerado, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid). E sabe ainda o que é pior: o índice de repetência ainda continua alto, sendo a média nacional de 20,1% para o ensino fundamental e de 22,6% para o ensino médio. Estas reprovações têm o custo de R$10,5 bilhões por ano aos cofres públicos. Ou seja, estas medidas, além de esta prejudicando a capacitação para o mercado de trabalho, não está produzindo os resultados desejados. Tem alguma coisa errada aí.
Mas isto é somente uma parte do problema. O despreparo dos novos professores quanto a realidade que encontram na sala de aula também pesa muito. A verdade é que estes professores saem das faculdades, ótimos em teoria, mas, com pouca prática de ensino, chegando às salas de aula sem saber utilizar o que aprendeu. Para se reverter esta realidade, várias medidas estão sendo tomadas como um projeto de lei que institui um programa de residência pedagógica, comparado com as que já ocorrem nos cursos de medicina. O Conselho Nacional de Secretários de Educação também sugerem a aplicação de uma prova semelhante à realizada pela OAB, para os que pretendem ser advogados, impedindo que profissionais despreparados atuem como professores.
Pelo que vemos, quanto se trata de educação, o caminho é longo e os desafios são muitos. Mas esperança é que não falta. Somente com qualidade de ensino nos tornaremos um país verdadeiramente desenvolvido.
Primeiro vemos os esforços do governo em colocar todos na escola. Mas hoje, ainda temos 10% da população maior de 15 anos não sabendo ler ou escrever. Número alto comparado com a economia do país.
Em seguida, vêm os esforços para diminuir o número de alunos repetentes. Como conseqüências temos, 2,43 milhões de pessoas de 7 a 14 anos que não sabem ler e escrever, sendo 87,2% destas matriculada em alguma escola. Muitos chegam ao ensino médio semi-analfabetos. Existe uma pressão para que os professores passem os alunos com dificuldades para as séries adiante, liberando assim a vaga para outros. Algumas instituições chegam até determinar um limite de reprovação por turma. Outra pressão vem do governo federal: efetuando repasses de verbas aos municípios através do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o aumento das aprovações automaticamente eleva este índice e assim o aumento do repasse.
Estes dados nos levam a refletir sobre outras pesquisas. No programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ficou em 52º lugar num ranking de 57 paises nas avaliações de Português, Matemática e Ciências. Outra: Sete em cada dez brasileiros de 15 a 19 anos não têm condições de conseguir um emprego bem remunerado, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid). E sabe ainda o que é pior: o índice de repetência ainda continua alto, sendo a média nacional de 20,1% para o ensino fundamental e de 22,6% para o ensino médio. Estas reprovações têm o custo de R$10,5 bilhões por ano aos cofres públicos. Ou seja, estas medidas, além de esta prejudicando a capacitação para o mercado de trabalho, não está produzindo os resultados desejados. Tem alguma coisa errada aí.
Mas isto é somente uma parte do problema. O despreparo dos novos professores quanto a realidade que encontram na sala de aula também pesa muito. A verdade é que estes professores saem das faculdades, ótimos em teoria, mas, com pouca prática de ensino, chegando às salas de aula sem saber utilizar o que aprendeu. Para se reverter esta realidade, várias medidas estão sendo tomadas como um projeto de lei que institui um programa de residência pedagógica, comparado com as que já ocorrem nos cursos de medicina. O Conselho Nacional de Secretários de Educação também sugerem a aplicação de uma prova semelhante à realizada pela OAB, para os que pretendem ser advogados, impedindo que profissionais despreparados atuem como professores.
Pelo que vemos, quanto se trata de educação, o caminho é longo e os desafios são muitos. Mas esperança é que não falta. Somente com qualidade de ensino nos tornaremos um país verdadeiramente desenvolvido.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
QUANDO NIETZSCHE CHOROU (1)
Para quem gosta de psicologia e filosofia este é o romance ideal. Escrito pelo psiquiatra renomado Irvin D. Yalome e publicado no Brasil pela Ediouro, o livro conta a o encontro fictício entre Josef Breur, um dos pais da psicanálise, e o filósofo Friedrich Nietzsche.
Veja algumas passagens do livro (uma espécie de trailer). E para quem se interessar, tem uma tiragem na biblioteca do Centro Cultural Basileu Toledo.
(Breuer para Freud)
-...Quando você começa a falar de outra mente separada, um elfo sensível dentro de nós inventando sonhos sofisticados e escondendo-os de nossa mente consciente...isso me parece ridículo.
...A alegria de ser observado era tão arraigada que, na crença de Breuer, a verdadeira dor da velhice, do luto, de sobreviver aos amigos estava na ausência de escrutínio: o horror de viver uma vida inobservada.
(Nietzsche para Breuer)
- Não é a verdade que é sagrada, mas a procura de nossa própria verdade...”Torna-te quem tu és”.
(Nietzsche para Breuer)
-Morrer é duro. Sempre senti que a recompensa final dos mortos é não morrer nunca mais!
(Nietzsche para Breuer)
-...Hoje, dir-lhe-ei minha segunda sentença de granito: “Tudo que não me mata, me fortalece”. Assim, repito: minha doença é uma bênção.
(Nietzsche para Breuer)
-...Na verdade, grande parte de nossa vida pode ser vivida por nossos instintos. Talvez as representações mentais conscientes sejam reflexões posteriores: idéias pensadas após a ação para nos proporcionar a ilusão de poder e controle.
(Nietzsche para Breuer)
-...Investigação e ciência começam pela descrença. No entanto, a descrença é inerentemente estressante! Só o forte consegue tolerá-la.
(Breuer para Freud)
-...Entretanto, quanto mais escutei seus pensamentos e refleti sobre eles, mais me convenci de que ele se imagina um médico: não um médico pessoal, mas de toda nossa cultura.
Com estas passagens já se da para ter uma idéia de como é um livro interessante e revelador. E olha que são passagens só da primeira metade. Semana que vem colocarei algumas da algumas da metade final. Até.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
O REAL VALOR DO MEIO AMBIENTE PARA AS GRANDES EMPRESAS
Uma notícia ilustra bem a maneira como as grandes empresas se comportam frente ao meio ambiente: Gostam e investem nele enquanto não estiver atrapalhando seu caminho.
Temos no Brasil 4.629 grutas protegidas por decreto federal, mas devido à pressão de empresas como a mineradora Vale e o grupo Votorantim, uma norma, que pode vigorar já no início de 2009, irá permitir a exploração da maior parte destas (80%). Só escapará as grutas classificadas como “máxima prioridade”.
Ainda temos muito para descobrir sobre este ecossistema fascinante. Cada caverna contém seus próprios segredos. É uma pena ainda termos um governo que não valoriza seu património natural, principalmente neste período em que tanto se discute o meio ambiente. Mas noticias como estas também nos servem de aviso para abrirmos os olhos quanto a estas empresas: enquanto elas fazem propaganda plantando algumas árvores na Amazônia, podem está destruindo um outro habitat inteiro que esteja na frente dos seus interesses comerciais.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
O fim de uma era.
Só mesmo pesando no bolso para os americanos tomarem tipo. Barack Obama tem tudo para entrar para a história não só por ser negro, mas (caso consiga), por limpar a bagunça (em praticamente todos os campos) deixada por seu antecessor, George Bush.
Se não ocorrer nenhuma eventualidade, parece que ele irá adiar a pax do império americano por um pouco mais de tempo.
Se não ocorrer nenhuma eventualidade, parece que ele irá adiar a pax do império americano por um pouco mais de tempo.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
MAÇONS ILUSTRES
Neste mês na revista Aventuras na História trás uma reportagem sobre como a maçonaria influenciou muitos lideres, pensadores e artistas da história mundial. É surpreendente. Veja esta lista de marçons ilustres.
Na Europa:
-Winston Churchill (primeiro-ministro britânico no periodo da 2º Guerra Mundial),
-Voltaire (filósofo iliminista),
-Mozart (compositor austríaco),
-Gustave Eiffel (projetista da Torre Eiffel e da Estátua da Liberdade),
-Giuseppe Garibaldi (revolucionário italiano),
-Jean-Paul Marat e La Fayette (lideres da Revolução Francesa)
Nos Estados Unidos
-Os presidentes George Washington, Harry Truman, Franklin Roosevelt (ao todo foram 16),
-Benjamin Franklin, Tomas Jefferson (articuladores da independência),
Os libertadores da América Espanhola Simon Bolívar e José de San Martín.
No Brasil:
-José Bonifácio, duque de Caxias, marechal Deodoro da Fonseca, Eusébio de Queiroz e dom Pedro I (não precisa nem especificar que foram estes).
Neste mês na revista Aventuras na História trás uma reportagem sobre como a maçonaria influenciou muitos lideres, pensadores e artistas da história mundial. É surpreendente. Veja esta lista de marçons ilustres.
Na Europa:
-Winston Churchill (primeiro-ministro britânico no periodo da 2º Guerra Mundial),
-Voltaire (filósofo iliminista),
-Mozart (compositor austríaco),
-Gustave Eiffel (projetista da Torre Eiffel e da Estátua da Liberdade),
-Giuseppe Garibaldi (revolucionário italiano),
-Jean-Paul Marat e La Fayette (lideres da Revolução Francesa)
Nos Estados Unidos
-Os presidentes George Washington, Harry Truman, Franklin Roosevelt (ao todo foram 16),
-Benjamin Franklin, Tomas Jefferson (articuladores da independência),
Os libertadores da América Espanhola Simon Bolívar e José de San Martín.
No Brasil:
-José Bonifácio, duque de Caxias, marechal Deodoro da Fonseca, Eusébio de Queiroz e dom Pedro I (não precisa nem especificar que foram estes).
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Análise de filmes
As confissões de Schimidt
Este filme nos mostra um personagem que fica perdido (e, digamos, decepcionado) quando chega uma determinada hora da vida em que é obrigado a analisar o real legado que esta deixando, a diferença que fez ao mundo.
A Dedicação com a empresa, o esforço para manter um casamento aparentemente perfeito (apesar de detestar certas manias da esposa), a maneira como se comportava no dia-a-dia, tudo nos mostra uma pessoa que viveu somente para se adequar aos padrões do que é socialmente bem visto. Mas sua vida vai mudando ele se aposenta e, entre eventos que lhe ocorre, percebe que havia muita sujeira embaixo da camada de vernix, que é a sua vida.
É um drama (e comédia também) que nos faz pensar sobre as responsabilidades das escolhas que fazemos no decorrer desta estrada: a visão que vamos ter quando chegarmos a certa idade e decidimos olhar para trás.
Este filme nos mostra um personagem que fica perdido (e, digamos, decepcionado) quando chega uma determinada hora da vida em que é obrigado a analisar o real legado que esta deixando, a diferença que fez ao mundo.
A Dedicação com a empresa, o esforço para manter um casamento aparentemente perfeito (apesar de detestar certas manias da esposa), a maneira como se comportava no dia-a-dia, tudo nos mostra uma pessoa que viveu somente para se adequar aos padrões do que é socialmente bem visto. Mas sua vida vai mudando ele se aposenta e, entre eventos que lhe ocorre, percebe que havia muita sujeira embaixo da camada de vernix, que é a sua vida.
É um drama (e comédia também) que nos faz pensar sobre as responsabilidades das escolhas que fazemos no decorrer desta estrada: a visão que vamos ter quando chegarmos a certa idade e decidimos olhar para trás.
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